sábado, 15 de agosto de 2015

Foi aos vinte e um anos que me deparei com um diagnóstico fechado por três psiquiatras de que era/sou eu uma pessoa com transtorno limítrofe. Tardei a acreditar. Tardei ainda mais a levar a sério e seguir tratamentos com afinco. Fui até o mais fundo de mim e voltei. Fiquei a beira de, tantas vezes que perdi a soma. Não que o problema fosse de fato aceitar uma 'doença',não. Eu sempre lidei bem com isso de aceitar. Mas me cansava aquela história longa de que eu teria de levar uma vida assim ou assado. De que teria de ter intervenção medicamentosa daquele presente momento até o dia em que fosse parar a sete palmos da superfície de um terreno qualquer. Me cansei inúmeras vezes de ter que lembrar dos horários dos remédios, das idas ao psicólogo falar para ele coisas que as vezes nem me chegavam. Um silêncio a dois. Passei por todas as fazer que podia e principalmente que não podia. Tive recaídas brutais, mas não me instalei no drama, como dizia aquele moço. Fui até o fundo e ressurgi sendo um novo velho ser com um transtorno. Foi então que percebi cinco anos depois que embora eu ainda seja taxada de louca pelo preconceito ignorante dos que se julgam espertos, suicida pelos completos desinformados, que eu não preciso aceitar esses adjetivos sujos de tragédia e dor. Você passa uma vida mascarando seus sentimentos e sensações e quando não consegue se enquadrar, é taxado. Eu diria que ser border me da uma outra visão de mundo sim, mas que eu prefiro enxergar entre linhas do que me perder naquilo que nem sei quem sou. Tomo remédio todos os dias pela manhã e se não o faço por quatro ou mais dias, começo a sentir o caos que é não controlar minhas emoções. Tenho um psiquiatra incrível. Ainda prefiro evitar muitas pessoas e aprendi a não sucumbir a exageros. Sou dada a exageros. Então eu só posso dizer que de 'médico e ''louco''' todo mundo tem um pouco. E eu, eu sou só mais uma na multidão seguindo pra onde eu bem entender.

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